Em todos os lugares que eu ia, eu procurava um sinal teu, um cheiro, um jeito, qualquer coisa que fosse, só para que eu pudesse apegar-me ao detalhe de não estar tão sozinha neste Mundo. Mas eu estava. E como quem procura motivos, eu prendia-me a palavras, gestos ou promessas, para continuar, qualquer coisa que eu tivesse que continuar. É como se eu fosse virar para o lado e a qualquer instante dar de cara contigo, é como se tu me fosses ligar a qualquer minuto do dia, dizendo que estás passando por aqui para me ver, para me abraçar, conversar comigo. É como se eu te tivesse aqui, para ter qualquer briga, fazer qualquer birra à toa, só para ter que ficar enervada e depois tu teres que me conquistar beijo a beijo, até que eu esquecesse de qualquer coisa que tivesse me deixado irritada ou chateada. Mãos dadas, cada toque, cada cheiro, cada beijo, cada movimento automático como se já soubéssemos, como se fosse sincronizado o nosso passo, o nosso ritmo, nós agíamos, tão silenciosos e intensos, além de tudo. Para mim foi e ainda é como se eu tivesse vivido uma história de anos! A falta aperta, a saudade bate, nada que eu faça substitui ter-te aqui, nenhum abraço é igual, nenhum timbre de voz, nem um riso, nem o jeito de andar, nem o modo como a tua boca se mexia quando tu falavas comigo, nada disso eu encontro em alguém, nem parecido, muito menos igual. Os dias não passam arrastados demais, nem corridos demais. Dias se tornaram apenas dias, e agora é tão e somente um dia após o outro. A espera é grande, a ansiedade também. E assim como tudo é em proporções maiores, tanto as palavras, como os versos que elas formam. Pode ter certeza que o sentimento também.